Escolher uma boa ração para gato pode ser uma tarefa difícil para alguns tutores. Afinal, são tantas opções disponíveis no mercado que fica difícil avaliar qual é o melhor alimento para os bichanos. Para entender melhor como não errar nessa escolha e comprar uma ração adequada para o seu amigo de quatro patas, conversamos com o médico veterinário Lucas Oliveira. Veja as dicas que ele passou a seguir!
1) Ração para gato deve atender às necessidades nutricionais do pet e ser de marca confiável
Conforme Lucas aponta, alguns critérios devem ser observados na hora de escolher uma ração para gatos. Estes critérios devem ser baseados nas necessidades nutricionais do gato e em aspectos da própria ração.
Quanto às necessidades nutricionais do gato, é importante levar em consideração:
- Idade
- Castração
- Presença de alguma doença
- Preferências do gato
Já em relação aos aspectos da própria ração, vale considerar:
- Ingredientes
- Reputação da marca
O veterinário explica que não existem ingredientes obrigatórios ou proibidos em uma ração comercial. “O que temos são ingredientes melhores, mais nobres, e que consequentemente oferecem maior palatabilidade e digestibilidade. Por exemplo, muito se fala sobre a porcentagem de proteína de uma ração, porém a origem dessa fonte de proteína é tão importante quanto ou até mais importante que a quantidade, pois irá determinar o quanto dessa proteína será realmente digerida e absorvida pelo gato.”
Na prática, isso significa que uma ração que utiliza carne como primeiro ingrediente será nutricionalmente superior a uma ração que utiliza farinha de vísceras. Porém, isso não torna a carne um ingrediente obrigatório, nem a farinha de vísceras um ingrediente proibido.
Além disso, ele acrescenta: “Hoje existem muitas informações na internet que não tem evidências científicas. São muitos os perfis que rankeiam as rações em uma lista, utilizando critérios que nem sempre condizem com a ciência. Por isso, é importante consultar o veterinário do seu gato, pois ele saberá não apenas indicar uma boa ração, como também adequá-la às necessidades e preferências do seu animal.”
2) Idade, peso e nível de atividade influenciam na escolha da ração para gatos
Uma ração para gato filhote não é igual a uma ração para gato adulto ou idoso, e existe uma explicação para isso. “O envelhecimento causa alterações metabólicas e funcionais importantes no funcionamento do organismo como um todo. Alterações no funcionamento do cérebro, rins, trato digestivo, sistema imunológico, dentre outros, que podem ser minimizados através de uma boa alimentação”, revela Lucas.
Questões relacionadas ao peso também devem ser observadas, tanto no caso de um gato muito magro quanto no caso de um gato obeso. “A obesidade felina está relacionada a uma série de doenças secundárias, como alterações reprodutivas, articulares, diabetes mellitus, problemas de pele, dentre outros. Portanto, é fundamental que a ração seja escolhida considerando o peso do gato, já que a ração correta irá auxiliar no ganho ou redução do peso.”
Outro ponto importante é quanto ao gasto energético do animal, que está atrelado ao funcionamento do organismo como um todo. “Gatos que passam o dia pouco ativos possuem o intestino mais “parado” quando comparados com gatos ativos, e, por isso, possuem uma tendência maior a acumular bolas de pelos e rações ricas em fibra podem ajudar a movimentar esse intestino e evitar estes problemas. Além disso, o nível de atividade altera o gasto energético diário, pois gatos muito ativos gastam muito mais calorias do que gatos pouco ativos”, justifica o veterinário.

3) Ração para gato seca ou úmida: qual a melhor opção?
Muitos tutores ficam divididos entre comprar ração seca ou ração úmida para gatos (também chamada de sachê). A principal diferença entre elas, segundo Lucas, é que a ração seca possui cerca de 10% de água, enquanto a ração úmida possui cerca de 80% de água. Mas qual é a melhor opção?
O profissional alega que a ração seca oferece maior praticidade, durando meses devido ao seu baixo teor de umidade. “Também agrada muitos gatos por conta da sua textura crocante e possui uma densidade calórica mais elevada, oferecendo mais calorias por grama do que a ração úmida”, acrescenta.
A ração úmida, por outro lado, é rica em água e auxilia na hidratação dos gatos. Além disso, ela tem mais variedades com diferentes texturas de molho, cortes de carne e combinações de sabores. “Para os gatos a palatabilidade está relacionada não só ao sabor, mas também à textura, temperatura e aroma do alimento. Desta forma, esse leque de possibilidades é interessante principalmente para aqueles gatos que são mais seletivos ou enjoam facilmente de um mesmo alimento.”
De acordo com Lucas, ambos tipos de ração podem compor uma alimentação saudável, mas é importante ficar atento aos seguintes pontos:
- Rações úmidas que vêm descritas como “alimento completo e balanceado” podem ser oferecidas como parte da alimentação ou de forma exclusiva (substituindo a ração seca), enquanto que rações úmidas descritas como “alimento específico” devem ser usadas como petiscos, não podendo substituir a ração seca;
- Gatos que tenham alguma doença específica, como alergia alimentar, precisam de atenção especial pois não podem consumir todos os tipos de ração (seca ou úmida).
4) Qualidade da ração para gatos também deve ser observada
A escolha de uma boa ração para gato pode levar em consideração a qualidade dos ingredientes e tecnologias empregadas na fabricação do alimento. A classificação geralmente é dividida em rações standard, premium e super premium e, de acordo com Lucas, tanto a qualidade dos ingredientes quanto essas tecnologias impactam em alguns aspectos da nutrição, como:
- Palatabilidade: rações que possuem matéria prima de maior qualidade (ex: carne como primeiro ingrediente) possuem uma palatabilidade maior do que rações que utilizam matéria prima de qualidade inferior;
- Digestibilidade: rações que possuem matéria prima de maior qualidade são mais bem digeridas e aproveitadas pelo organismo do que rações que utilizem matéria prima de qualidade inferior. Isso pode ser visto através do volume de fezes, pois quanto maior a digestibilidade, menos resíduos (fezes) sobrarão do processo de digestão. Sendo assim, um alimento standard irá gerar um volume de fezes consideravelmente maior que um alimento super premium;
- Densidade nutricional: se refere a quanto de nutriente há por porção. Por exemplo, um alimento standard tem menos nutrientes a cada 100g do que um alimento super premium. Sendo assim, a quantidade diária a ser oferecida de alimento Standard será maior que de um alimento super premium.
5) Gatos com condições de saúde específicas precisam de ração para gato específica
É importante considerar também as especificidades de cada animal. Depois de realizar a castração, por exemplo, é importante investir em uma ração para gatos castrados. O mesmo vale para determinadas condições de saúde, que precisam de alimentação específica indicada pelo médico veterinário.
“Nesses casos, o veterinário nutrólogo é a pessoa ideal para indicar a alimentação adequada, visto que existem diferenças importantes de uma marca para outra e que podem comprometer o sucesso do tratamento caso não sejam consideradas. O veterinário nutrólogo possui formação que permite não apenas indicar o alimento, mas também acompanhar o tratamento, intervindo e ajustando conforme a necessidade do paciente”, orienta Lucas.