Algumas doenças de gato representam um verdadeiro perigo para a saúde dos bichanos. Elas comprometem bastante a qualidade de vida do animal e, em alguns casos, podem até mesmo ser fatais. Por isso, é importante saber identificá-las e, principalmente, saber como preveni-las.
Para esclarecer tudo sobre o assunto, conversamos com o médico veterinário Lucas Oliveira, que listou as 6 doenças de gato mais graves que existem e explicou suas causas, sintomas e formas de prevenção. Confira!
1) PIF felina
De acordo com o especialista, a PIF (Peritonite Infecciosa Felina) é causada pelo Coronavírus Felino em sua forma mutada. “Animais jovens, idosos ou com alguma doença concomitante que diminui a imunidade, como FIV e FeLV, são os mais predispostos”, revela. Além disso, ele acrescenta que a principal forma de transmissão da PIF em gatos é por meio do contato com as fezes de animais contaminados. Por isso, animais que vivem em ambientes superlotados têm maior risco de contrair o quadro.
Sobre os sintomas, Lucas explica que essa doença de gato apresenta duas variações (forma clássica e forma não efusiva), portanto, os sinais podem variar. “Na forma clássica há acúmulo de fluidos no abdômen e tórax, com distensão do abdômen, dificuldade para respirar, febre e perda de peso. Já na forma não efusiva pode haver lesões em órgãos internos, sinais neurológicos (convulsões, desorientação), anemia, febre e perda de apetite.”
Além disso, o médico veterinário listou algumas medidas de prevenção abaixo:
- Higienização regular da caixa de areia;
- Evitar ambientes estressantes e superlotados;
- Vacinação (ainda não se encontra amplamente disponível);
- Levar seu gato regularmente ao veterinário a fim de checar o estado de saúde periodicamente.
2) FIV felina
“A FIV, ou Vírus da Imunodeficiência Felina, é muito similar ao HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana), e é causada por um retrovírus que ataca o sistema imunológico do gato, principalmente os linfócitos T”, destaca Lucas. Ele ainda alerta que a transmissão da doença se dá pela saliva, que geralmente acontece por causa de mordidas ocasionadas por brigas entre os gatos. Os sintomas da FIV felina, por outro lado, muitas vezes são inespecíficos, de forma que os animais infectados podem apresentar apatia, mal estar, perda de peso e febre.
Confira algumas dicas de prevenção passadas pelo médico veterinário:
- A castração diminui o comportamento agressivo dos felinos e consequentemente reduz o risco de brigas, que estão associadas a infecção por mordedura;
- Evitar o acesso à rua;
- Testar os novos gatos antes de introduzi-los na casa.
3) FeLV felina
A FeLV felina, também chamada de Leucemia Viral Felina, é uma das doenças de gato mais preocupantes. Conforme Lucas explica, essa doença é causada por um retrovírus e pode ser transmitida através da saliva, leite, placenta ou transfusão sanguínea. “Uma vez infectado, o felino pode desenvolver uma série de sinais clínicos, que podem ser pouco específicos, como apatia e falta de apetite, ou mais específicos, como a leucemia.”
Felizmente, existem algumas maneiras de prevenir a FeLV em gatos. Veja as dicas de Lucas a seguir:
- Manter gatos dentro de casa e evitar interações com gatos não testados pode reduzir o risco de infecção;
- Realizar testes de FeLV em gatos novos antes de introduzi-los em casa com outros gatos;
- Existem vacinas disponíveis para a FeLV. Consulte o veterinário do seu gato para saber mais sobre as opções disponíveis.

4) Panleucopenia felina
Causada pelo Parvovírus Felino, o médico veterinário alerta que a panleucopenia felina é uma doença de gato altamente contagiosa, que pode ser transmitida através de fluidos corporais e fezes, através do próprio ambiente ou objetos contaminados. “Assim como outras doenças virais, os sintomas não são específicos, podendo haver febre, apatia, perda de apetite, vômitos, diarreia e anemia.”
Para seu gatinho não sofrer com o problema, Lucas passa as seguintes recomendações:
- A vacinação é a melhor forma de proteger o gato contra a doença e o protocolo vacinal pode iniciar a partir das 6 a 8 semanas de vida;
- Higiene do ambiente e isolamento do animal doente também são importantes a fim de evitar novas contaminações;
- Por fim, mas não menos importante, leve seu gato regularmente ao veterinário para atualizar as vacinas e realizar um check-up.
5) Doença renal crônica
A doença renal crônica, também chamada simplesmente de DRC, é a doença de gato mais comum, segundo Lucas. Ela costuma afetar principalmente gatos idosos, e têm alguns fatores de risco, como a idade avançada, genética, doenças infecciosas (como FIV e FeLV), doenças metabólicas (como hipertensão e diabetes em gatos), desidratação crônica e obstruções de trato urinário.
Se não tratada, a doença renal crônica tende a evoluir para um quadro de insuficiência renal em gatos e muitas vezes é fatal. Sobre os sintomas, o médico veterinário esclarece: “Dependendo do estágio de evolução da doença, os sintomas podem ser ausentes ou inespecíficos, porém os mais comuns são: aumento de sede, aumento do volume de urina, náuseas, vômitos, hálito urêmico, úlceras na boca, desidratação, perda de peso progressiva.”
Quanto à prevenção, ele revela que isso está associado à manutenção de um bom estado de saúde. As principais dicas são:
- Manter a hidratação do gato em dia, o que pode ser feito através da oferta de alimento úmido (sachê) com maior frequência, estímulo do consumo de água através de fontes, etc;
- Uma boa alimentação e controle do peso também estão associadas à prevenção da DRC;
- Os check-ups veterinários regulares são importantes, pois exames de sangue e urina podem ajudar a detectar problemas renais precocemente.
6) Toxoplasmose
Entre as doenças de gato mais graves, também tem a toxoplasmose, quadro causado por um protozoário chamado Toxoplasma gondii, cujo hospedeiro definitivo é o gato. “Sua infecção está associada principalmente à ingestão de carne crua contaminada com oocistos do parasita”, explica o especialista. A presença de sintomas nessa doença não é muito comum, mas gatos com infecções graves ou sistema imune debilitado podem apresentar febre, apatia, falta de apetite, problemas respiratórios e sinais neurológicos.
Já sobre medidas preventivas, Lucas destaca:
- Alimentação à base de ração ou carne muito bem cozida;
- Higiene de caixa de areia;
- Evitar o acesso a presas, como pássaros e pequenos roedores.
Seguindo esses cuidados, é possível prevenir muitas doenças de gato graves!